quarta-feira, 22 de maio de 2013

A ladainha da redução da maioridade penal


Passado o frisson da classe "mérdia" devido às mudanças nos direitos das trabalhadoras domésticas, a família brasileira achou outro assunto para manter sua fixação por semanas a fio, a bola da vez agora é a redução da maioridade penal. 

Vi hoje em algum lugar que numa pesquisa qualquer, 98% dos entrevistados responderam que são a favor de que se diminua a maioridade penal para os dezesseis anos. Parabéns Brasil brasileiro! Prove-nos mais uma vez que a sociedade em que vivemos é mesmo uma escola de monstros e que agora além de se negar o direito a saúde, a educação e a tudo mais que torna um ser humano, vamos jogar pessoas cada vez mais jovens negros e pobres em cadeias lotadas, que nada mais são do que paraísos da violação dos direitos humanos e fábricas de produzir criminosos. E assim, poderemos voltar para casa todas as noites aliviados sem correr o risco de sermos assaltados, nem mortos e nem estuprados, não é? Afinal a partir do momento em que aquele garoto de dezessete anos que tem uma arma na mão e está pronto para roubar o seu carro souber que graças a redução da maioridade penal, ele poderá ser julgado como alguém de 18, ele automaticamente irá desistir de cometer o delito. Simples, né?

Porque é mais ou menos assim que me parece que as pessoas estão achando que vai funcionar. Reduzir a maioridade penal vai como que por mágica reduzir a criminalidade. NÃO! Assim mesmo, com letras maiúsculas, gritando, porque eu não aguento mais a mania que esse país tem de resolver as coisas aos remendos. Achar que julgar alguém de 16 anos como se julga uma pessoa com o dobro da idade vai reduzir os latrocínios e sequestros beira a ingenuidade se não fosse uma amostra de um povo que só sabe lotar shopping e encher a casa de aparelhos que nem são usados em toda potencialidade, mas se a vizinha tem...

Num país que canta aos quatro ventos que tem a sétima economia do mundo, e que é governado pela 2ª mulher mais poderosa do globo segundo a Forbes, me parece contraditório que milhares de mães tenham passado horas na fila para sacar míseros reais a partir de um boato de que perderiam o direito aos vinténs oriundos de um programa que em vez de ensinar a pescar entrega os peixes e mantém todo mundo no mesmo estado de parasitismo.

Onde está a sanidade de toda essa gente que se revolta porque precisa pagar décimo terceiro a pessoa que cuida da sua casa todos os dias? O que pensa esse povo que não se cansa de comprar iphone mesmo que só saiba usá-lo para receber e efetuar chamadas e que acredita que inchar ainda mais a população carcerária resolve a violência?

 E antes que me perguntem qual é a solução que tenho para a situação atual da violência no país, eu aviso logo que não tenho solução nenhuma e nem tenho obrigação de dar solução para nada. As universidades estão cheias de bolsistas, mestres e doutores que estão ganhando muito dinheiro para estudar segurança pública e de nada tem adiantado. Então não sou eu que tenho que dar essa resposta. Próximo assunto, por favor!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Rede Bahia de assessoria de comunicação


Que vivemos na Idade Mídia como foi batizada a era da comunicação por Albino Rubim, é fato. Nada nesse mundo consegue ser mais importante do que o que foi postado, nem mesmo o próprio fato em si. Mas daí que se use a maior rede de comunicação do estado para a livre prática de divulgação do trabalho do prefeito de Salvador, aí já é abuso.

Já é notável que há algumas edições o melhor amigo dos baianos na hora do almoço vem veiculando matérias sobre uma passarela que não terminou de ser feita ali, um buraco que precisa ser coberto aqui, um poste que caiu em uma rua acolá e no dia seguinte, como que por mágica: aprece no mesmo telejornal lá tudo resolvido como uma obra imediata da Prefeitura, diante da denúncia do jornal. Qual a necessidade?

Não sabia que programação da emissora que tem compromisso de informar a população, podia servir também como jornal institucional, mostrando diariamente os feitos do Prefeito aqui e ali, produzindo fatos para torná-los noticiosos. Parece que ao contrário do que se ensina nas faculdades de comunicação, a grande rede anda trocando interesse público por interesse do público em pleno meio dia, sem a menor cerimônia, entre uma garfada e outra do cidadão soteropolitano. O cinismo é mesmo de dar indigestão.

domingo, 12 de agosto de 2012

O mundo está ao contrário de ninguém reparou


Quis a vida que eu fosse parar no mundo do varejo. E como sou bem obediente, lá estou eu,todos os dias convivendo com todos - todos mesmo – tipos de pessoas. Praticando exercícios de paciência, simpatia, cordialidade e graças aos seres e às situações que por lá aparecem, aprendendo muitas coisas.

Nesse ínterim, uma das coisas que mais tenho percebido é o quanto o mundo realmente está mudado e em alguns sentidos, mudado pra pior, bem pior. Ao contrário, virado pelo avesso. Por exemplo, depois de muita luta de muitas mulheres para que nós nos tornássemos independentes, tivéssemos direito a usar calças e sair para trabalhar, votar, poder transar antes do casamento, tomar pílula, etc e tal as fêmeas da minha espécie, numa inversão escancarada e quase doentia de valores, tem preferido se gabar justamente do contrário. Já não aguento mais ver mulheres que ficam se vangloriando de ter as contas pagas por seus machos. Não aguento mais ver mulheres impedidas de comprar porque não tiveram a aprovação dos homens com quem se deitam. Me poupem!

Antes que me ataquem, calma gente! Não estou querendo dizer que sou daquelas que pega a calculadora e divide a conta em 50% pra cada toda vez que sai com o cara. Mas daí a sair por aí afirmando orgulhosamente que o namorado paga até o absorvente e só faltar beijar os pés dos amados por isso, é ridículo demais pra minha cabeça. 

Acho que a submissão voluntária é um milhão de vezes mais nociva do que a que vejo quando assisto aos capítulos de Gabriela (que tem um texto escrito por Jorge Amado e questionava justamente  essa submissão há quase 60 anos). Esse prazer em ser sustentada pelos homens, que algumas mulheres sentem e externam com a maior naturalidade é a constatação cruel do quanto temos andado pra trás, feito caranguejos. Não quero que ninguém saia por aí bancando o próximo carinha que beijar na balada, mas daí a resumir a alegria da vida em ter ao lado um homem que banca tudo (por sinal, geralmente um tudo que é quase nada) é tão limitado.

Acho que quem valoriza a liberdade como um bem, se sente desconfortável com a ideia de depender de alguém para fazer uma escova no cabelo, comprar uma calça jeans, ou pagar um prato de comida, um ingresso ou outras coisas do tipo. Eu gosto de ser livre. Gosto de escolher o mais caro de vez em quando, adoro comprar, gastar,  detesto ter que pedir, acho humilhante, acho feio e me incomoda que tanta gente ache isso bonito.

domingo, 15 de julho de 2012

Não dá certo e eu escrevo esse texto


Ontem fazendo uma faxina no meu email encontrei aquela foto nossa. A única que temos. A única imagem existente do que fomos nós. Senti um milhão de coisas estranhas e uma súbita vontade de te procurar. Lembrei que outro dia, conversando com uma amiga minha, ela me perguntou se eu não tinha vontade de saber como você está. Apesar de não te ver há muito tempo, eu sei exatamente como você está. Casado, feliz e com um filho lindo. Exatamente como eu sempre imaginei que seria sua vida. A vida na qual eu nunca ia caber. Mas na hora que eu abri aquele email e vi a nossa foto, foi como se um mundo parasse por alguns segundos, porque a imagem da gente apagou da minha cabeça a imagem de você hoje com família, com mulher e eu quis saber de você.  Você de qualquer jeito. Coloquei pra tocar a nossa playlist. Aquelas músicas que me faziam me sentir tão feliz, abriram um buraco no meu coração. E escrevo essas coisas que você nunca vai ler, porque você nunca leu nada que eu escrevi sobre mim, sobre você ou sobre tudo que a gente viveu e nunca vai ler. Porque eu não dava na sua vida e simplesmente deixei de existir nela. Então de que importa o que eu escrevo? Você também nunca vai sentir o que eu senti ontem ao abrir nossa foto, porque você não deve tê-la. Porque a imagem do que a gente era não tem nada a ver com o que você é. Então eu desisto de querer saber de você porque aquilo que existia lá naquela foto, não existe mais, nem em mim, nem em você. Porque quando ouço aquelas músicas que você me fazia ouvir exaustivamente eu sinto que até elas perderam o sentido e agora me machucam. Não há porque querer voltar a ser o que nunca deveria ter sido. Por isso mando nossa foto pra lixeira, mudo a música e tento não pensar mais nisso. Mas não dá certo e eu escrevo esse texto.

sábado, 7 de julho de 2012

Quanto mais idiota melhor


As coisas que me irritam me inspiram. Isso já é um fato consumado em minha vida. Adoro falar do que não gosto. E se teve uma coisa que me irritou foi a estreia do programa de Pedro Bial, na Rede Globo ontem.  Como desde as chamadas eu já não estava gostando nada do rumo da prosa, resolvi assistir para não emitir nenhuma opinião precipitada. Pobre de mim, perdi meu tempo e confirmei o que já era perceptível. Mais uma dose de merda na grade da maior emissora da América Latina.

O tal do Na Moral, consegue ser praticamente tão imbecil quanto o reality apresentado pelo jornalista que, em outros tempos se consagrou em reportagens como a queda do muro de Berlim. No caso de Bial, não é o passado que o condena, mas o seu presente. Um programa com uma estrutura desencontrada – parece que virou moda na Globo vide os encontros matinais da ex- apresentadora do telejornal mais assistido da TV brasileira - que tratou temas sérios como racismo, assédio moral e etc, sem a menor responsabilidade e por vezes, até como piada.

Uma plateia muda, uma mulher que nunca soube dizer se era humorista ou atriz, um cantor negro que se vestiu de gorila num clipe e acha que isso não passa de uma brincadeira, umas externas que nada diziam... Meu deus! O que essa gente quer? Onde pretende chegar um cara que nos últimos dez anos passa meses comandando um programa no qual as pessoas se exibem 24 horas feito bichos de zoologico?

Não sei em qual bueiro, fossa ou lixão vai parar a qualidade da televisão desse país. Me irritei e escrevi. Fora me inspirar a postar no meu blog, o programa novo de Pedro Bial não serviu para absolutamente nada.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sim, você precisa passar por isso!


Semana passada perdi meu sono mais uma vez quando, durante uma zapeada pela TV, encontrei o filme Ensaio sobre cegueira bem no começo. Não poderia perder pela terceira vez a chance de assistir aquela que, para mim, é uma das melhores adaptações cinematográficas de uma obra literária.

Dentre as tantas reflexões que me faço desde que li o livro, a cegueira branca da obra de Saramago, que leva homens e mulheres a barbárie, já que nada pode ser mais insuportável aos seres humanos carregados de preconceitos do que se encontrarem todos iguais - e para piorar, iguais diante de um caos -  se fez necessária, para que aqueles que foram acometidos por ela, tivessem aprendizados que jamais seriam possíveis caso estivessem enxergando.

Foi bom ter revisto o filme, salvo o fato de só ter conseguido pegar no sono à s 5h da manhã (uma hora depois que ele acabou), porque Saramago, seja numa frase ou numa imagem na tela da TV sempre mexe com muitas e muitas coisas dentro de mim. Ensaio sobre cegueira e suas tantas mensagens me fez pensar um pouco mais sobre algo que tem servido como uma espécie de mantra nesse momento da minha vida: Sim, nós precisamos passar por determinadas coisas.

Sabe aqueles fases que você se pergunta: por que isso tem que acontecer comigo? A gente roga desesperado tentando entender qual o mecanismo, qual a dívida, qual a justificativa para que a vida simplesmente não esteja acontecendo da maneira que a gente supõe que deve acontecer. Passei muito tempo assim nos últimos dois anos. A gente se sente castigado, injustiçado, revoltado, infeliz, desesperado pelo simples fato de que não conseguimos encarar que em certos momentos as coisas precisam simplesmente acontecer ao modo delas, ou seja, difíceis, tortuosas, demoradas, quase que impossíveis. A vida de ninguém pode ser um roteiro com um checklist repleto de OK. 

A gente precisa passar por isso, a gente merece passar por isso. Muitas vezes é a única forma que temos de aprender, de valorizar, de mudar, de amadurecer. Se tudo funcionasse perfeitamente, se tudo desse certo, se a gente não perdesse um avião, um emprego, um amor, um amigo, um pai ou uma mãe, talvez a gente não estivesse pronto para ganhar lá na frente, talvez a gente jamais se movesse para não voltar a perder.

Calma, eu não virei a rainha do otimismo. Aliás, eu nem teria por que. Continuo pé no chão, regida por um signo de terra que não me permite perder a noção na realidade nunca. Mas descobri que certas coisas, nós só aprendemos na dor, não tem jeito. Tem que doer, a gente tem que chorar até esvaziar a alma e encher o peito de coragem para encarar seja lá o que vier depois. A solidão, o desemprego, a falta de dinheiro, os pesos a mais ou a menos, um não, as pessoas que somem e as que chegam ou permanecem, tudo tem um sentido lá na frente. Vale para aprender e depois a gente acaba agradecendo por ter vivido.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Voltando a mim


Espanador, vassoura e pano de chão a postos, estou de volta. Resolvi tirar a poeira das palavras e voltar a escrever nesse blog, ou pelo menos tentar. Estou aqui fazendo um pacto comigo mesma e com você, caro leitor lindo - se é que ainda tem alguém aí fora minha mãe - de que pelo menos um texto por semana vai rolar aqui nesse Edifício que anda completamente desabitado, devido a todas as mudanças pelas quais venho passando nesses últimos meses.

Com minha mudança para a cidade maravilhosa precisei começar uma nova fase, com gente nova, lugares novos, hábitos novos, precisei me adaptar a muitas coisas, precisei curtir o Rio com gosto, pensar mais sobre minha vida, meus rumos,minhas escolhas, arrumar um trabalho, blá, blá, blá. Tudo isso, acabou me afastando desse meu cantinho no meio desse mundo cada dia mais doido.

Não sei como consegui ficar calada diante de acontecimentos importantes como as votações a respeito do aborto, das cotas e  ou assuntos idiotas como da insuportavelmente comentada nudez (novidade) hakiada de Carolina Dieckman. É muito assunto que passou sedento por um comentário meu, mas a partir de hoje, nem um fato, caso ou sentimento passará abatido. Voltei pra essa casa para ficar. Sacudi os lençóis e voltei a mim. Esse edifício é mesmo o melhor lugar para eu me aconchegar e reencontrar aquela pessoinha sarcástica, ácida, mas também um pouco boba e feliz.

Vamo que vamo!

domingo, 11 de março de 2012

Talvez...

‎"Talvez os nossos erros escrevam nossos destinos. Se não, o que mais faria nossas vidas? Talvez se nunca mudássemos de direção, jamais nos apaixonaríamos, ou teríamos bebês, ou seríamos quem somos, afinal de contas, as estações mudam,as cidades também. As pessoas entram e saem de sua vida, mas é bom saber que quem se ama está sempre no seu coração. E, se você tiver sorte, a um vôo de distância."

da série Sex and the city

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A vida resumida


Assisti ontem o primeiro episódio da série ‘Quem é meu pai?’ do programa Fantástico. Pra quem não viu, resumindo: o quadro pretende acompanhar semana após semana a saga de alguns dos 3,5 milhões de brasileiros – dados do programa – que não possuem o nome do pai em suas certidões de nascimento e querem porque querem passar a carregar os Santos, Silvas, Souzas e etc de seus progenitores. Se você não assistiu, eu assisti e só pra variar, não gostei.

Pra mim, o quadro já começa errando pelo título. Por que em vez de perguntar quem é o pai, o quadro não pergunta por que o pai não registrou o filho? Seria uma boa maneira de tocar em um assunto que geralmente (vejam bem que não estou generalizando) começa por uma ideia machista de que a gravidez, quando indesejada, torna-se uma responsabilidade exclusiva das mulheres. Mas, sabe como é, né? Vamos apagar as causas e pular logo pras conseqüências porque na TV time is money mais do que em qualquer outro lugar. 

Assim, em vez de começar as histórias pelo começo, o Fantástico corta caminho, começa pelo fim e acompanha simultaneamente duas audiências de um projeto do Judiciário chamado “Pai presente” que permite investigação de paternidade gratuita aos brasileiros que estão a fim de somar mais um sobrenome a seus documentos. Mas então é isso, produção? Ter um pai presente é carregar um Ferreira no final do nome? 

Então o meu conceito de pai deve estar completamente equivocado, talvez porque eu acho que mesmo que se hoje a justiça através de um exame de DNA obrigue um pai  a pôr seu sobrenome após o nome de seus filhos não se reconstitui a história. Então se o trabalho dos juízes é forçar um homem a enfiar um nome a mais na certidão de uma criança, sinto muito, mas isso resolve muito pouco ou quase nada.

Fora isso, achei curioso que nas duas histórias verídicas acompanhadas pelo Fantástico, as mães dos personagens não foram ouvidas. Em uma das histórias a mãe nem mesmo foi citada, como se não existisse alguém que bem provavelmente se responsabilizou por suprir todos os vazios decorrentes do segundo domingo de agosto, dos comerciais de margarina e de tudo mais que é feito por um mundo perverso que esfrega na cara das pessoas que há algo errado em não se ter um pai.

Juro que passei o quadro inteiro me perguntando indignada sobre o porquê não deram vozes as mulheres que geraram aquelas duas pessoas. Não consegui entender porque o reencontro com o pai que abandona (hipótese maldosa, mas bem realista) não podia ter a presença da mãe presente que sabe deus o que tanto fez para transformar aqueles dois em pessoas e para que inclusive, hoje eles pudessem diante das câmeras globais chorarem copiosamente ao abraçar homens completamente estranhos e alheios à suas histórias. Homens dos quais carregam apenas genes.

É como se a vida fosse resumida a genética e os laços afetivos que são cultivados desde a gravidez, passam pelas cólicas e febres nas madrugadas, aniversários, formaturas, casamentos e todas as outras derrotas e vitórias que permeiam a nossa existência não valessem de nada. A falta de um nome nos documentos é muito pouco diante da porção de outras coisas que podem ser sentidas pela ausência de um pai. Não adianta.

Que venha o próximo domingo. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A terra de ninguém

Sabe aquela mulher linda que faz questão de se tornar feia? Aquela deusa que sem muito esforço se tornaria o desejo de qualquer homem ou mulher, mas que sabe deus porque  se traveste de cruzamento de cruz credo com cavalo do cão e sai na rua com um corte de cabelo que parece ter sido feito por navalha cega e com maquiagem de quem vai roubar o emprego dos palhaços Patati Patatá? 

Essa é a Bahia. Uma mulher linda e desejável que resolveu se enfeiar ao máximo para o resto do mundo. Um estado rico, repleto de belezas naturais e com uma diversidade cultural que faz inveja a muita gente, mas que embrulha tudo isso e joga no lixo sem dó, nem piedade.  Perdeu fácil como destino turístico para cidades muito menos desejáveis quem não tem um terço do que há por aqui e envergonha qualquer baiano que vai ali do lado, em Aracaju.

Salvador, sua capital, tem sido o quartel general do desgoverno e da falta de tudo, principalmente de respeito por uma população que agoniza nas filas dos hospitais, dos ônibus, dos desempregados, dos mortos de fome e de tudo mais que dependa daqueles que foram eleitos nas urnas para fazer as coisas darem certo e não fazem nada. Aliás fazem, cumprem com esmero a função de acabar com a cidade.  Uma grande lixeira a céu aberto enfiada em um buraco, aliás, em vários buracos que viraram característica da paisagem da cidade, sem calçadas e sem asfalto. Deve ser por isso que o prefeito fujão estava ontem correndo em Copacabana, porque lá se tem onde correr, enquanto aqui só se tem onde morrer, já que em apenas uma madrugada se consegue ter mais mortes do que um mês inteiro.

O terror instaurado pela greve dos policiares militares que começou há dois dias é só uma demonstração de onde vai dar esse bolo que não para de crescer e que está recheado pelas legiões de pedintes que enfeitam como suvenires todos os cantos da cidade guiados pelo crack que conseguiu transformar a paisagem do Centro Histórico, pelas crianças analfabetas e esfomeadas entregues a estudantes de pedagogia que sem nenhum preparo são jogadas dentro de arremedos de salas de aula, pelo medo de sair de casa todos os dias para trabalhar e não conseguir voltar vitimado por um assalto ou mesmo por uma polícia que cega a murro os cidadãos. Esse caos é só uma amostra de que o fim de mundo já chegou aqui, pois o cenário atual da velha Bahia é igualzinho ao de qualquer filme apocalíptico baseado na pior das piores profecias.

* as imagens utilizadas nesse texto foram retiradas do facebook 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A diferença entre amar e dizer que ama

O que é o amor? Você que estiver lendo isso vai logo pensar: “ o que é que Daza quer? Mal nos curamos das ressacas de fim de ano e você já vem fazendo essas suas perguntas absurdas”. Ok, leitoras e leitores do meu Brasil, vocês não precisam ter na ponta da língua uma  resposta para o meu questionamento. Até porque nem eu mesma sei dizer o significado dessa palavrinha de quatro letras. E nem tenho estrutura para tentar explicar aqui nesse humilde blog o que viria a ser esse sentimento. 

Mas como mesmo quando eu não sei a resposta pra uma coisa, eu sei o que não responderia a pergunta, eu digo: amar não é dizer que ama e tenho dito. Não sei se é porque a gente está vivendo uma vida cada dia mais pra os outros do que pra nós que a gente acabou perdendo a noção das coisas e embananando os sentimentos que nunca foram lá tão arrumadinhos. Numa época em que as coisas mais importantes que passam pela sua cabeça ou que acontecem em sua vida precisam ser ditas o tempo inteiro pra todo mundo, amar tem se resumido a simplesmente dizer: eu te amo. Não importa se via sms, tweet, RT, DM, S2, etc, etc. Amar para os outros se tornou mais importante do que amar os outros.

Esse mundo é tão maluco que chegamos ao ponto da pessoa sacanear a outra ao máximo e tentar resolver tudo postando uma foto no mural com uma citação de Caio F. Abreu embaixo. O que você sente pensa e faz perdeu a importância. O que realmente tem valor é o que você mostra que sente, mostra que pensa e mostra que faz.  O que importa é estar em um relacionamento sério no facebook.

Eu vou continuar não sabendo o que é amor talvez a minha vida inteira. Porém continuarei certa de que amar não tem nada a ver com palavras. As palavras são bonitas, enchem nossos ouvidos e eu já cansei de dizer o quanto me encanto por elas, mas a ações, essas sim comprovam o amor em seu estado nato e apenas a quem realmente interessa.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Lá vem 2012!

"Desejo a vocês fruto do mato, cheiro de jardim, namoro no portão, domingo sem chuva, segunda sem mau humor, sábado com seu amor, chope com os amigos, viver sem inimigos, filme na TV, ter uma pessoa especial e que ela goste de você, ouvir uma palavra amável, ver a banda passar. Desejo a vocês noite de lua cheia, rever uma velha amizade, ter fé em Deus, não ter que ouvir um não, nem nunca, nem jamais, nem adeus, rir como criança, ouvir canto de passarinho, sarar de resfriado, escrever um poema de amor , tomar banho de cachoeira, aprender uma nova canção, esperar alguém na estação, queijo com goiabada. Desejo a você uma festa, um violão, uma seresta, recordar um amor antigo, ter um ombro sempre amigo, bater palmas com alegria, uma tarde amena, calçar um chinelo velho, tocar uma musica a alguém, vinho branco e muito carinho! "

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quando o tempo durava mais

Quando eu era criança tinha a impressão que os anos duravam mais do que duram nos dias de hoje. Parece loucura, mas sem dívidas e dúvidas existenciais me parecia que os 365 dias no calendário se arrastavam por uma eternidade. As férias demoravam, eram longas e super distantes umas das outras. O dia do meu aniversário era uma coisa que eu esperava com tanta ansiedade que até parecia que só acontecia de quatro em quatro anos.

Uma catástrofe ou um grande feito ficavam sendo lembrados por longas datas, vistos e revistos nos noticiários por várias edições. A gente não esquecia as coisas tão facilmente e as retrospectivas que a Globo fazia – e ainda faz – na última semana do ano não pareciam falar de coisas da década passada. A informação era bem menos perecível e descartável, porque a gente não podia acessá-la numa tela que cabia na palma da nossa mão, para saber o que acontecia no Brasil e no mundo, a gente precisava sentar em frente a TV na hora do Jornal Nacional e ai de quem desse um pio.

O réveillon era aquela data lá no final da folhinha, quando passava a corrida de São Silvestre na TV e nós (as crianças) tínhamos o direito de tomar um golinho de espumante - na época a velha e boa Cidra Cereser sabor maçã que podia ser encontrada em qualquer mercado perto de você – com nossas roupinhas brancas, novinhas. Quando dava meia noite, o único desejo para o ano que iniciava era que tivéssemos um bom rendimento escolar para escapar das reclamações de nossas mães e pais. Sim, na minha infância os pais tinham direito de reclamar com os filhos e de bater também. Os adultos ainda não tinham medo das crianças naquela época e ninguém criava trauma por causa de uma surra ou outra.

Talvez porque o tempo durava mais, duravam também as amizades e os amores. A gente não saía substituindo as pessoas, porque cativá-las era uma coisa que demandava esforço e vontade. Não tinha facebook pra achar todo mundo e saber da vida dos outros de cabo a rabo num simples clique. Para conhecer as pessoas era preciso estar com elas ao vivo e a cores e para tirar alguém da vida não bastava apertar o botão e excluir. Para discutir uma relação era preciso estar frente a frente porque não existia nenhum plano para falar a vontade por r$ 0,25. Para namorar só saindo de casa, porque não tinha o badoo para nos arranjar o par ideal. A conquista era demorada e por isso os relacionamentos valiam muito mais a pena.

O mundo evoluiu tanto, que foi preciso fatiar o tempo, foi preciso colocar mais velocidade na vida, pra que essa evolução não perdesse o sentido. Ganhamos com isso? Não sei. Às vezes, nem tanto.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Uma semana cheia

Em uma semana que começou com o Ministro do Trabalho pedindo demissão e com Fátima Bernardes se despedindo da bancada do Jornal Nacional, é natural que na terça-feira já estejam todos exaustos. Os dois fatos são suficientemente noticiosos e desgastantes para olhos e ouvidos da nação brasileira em pleno começo de um mês onde todo mundo está mais preocupado em organizar as festas do fim de ano que, só de sacanagem, vão cair de sábado para domingo.

Carlos Lupi tinha dito que só sairia do Ministério à bala. Mas, depois de ser visto saindo de jatinhos que, segundo ele, jamais tinha entrado e de Dilma não retribuir seus “eu te amo”, só lhe restou colocar as maquinas de picotar papel pra trabalhar e pedir para ser liberado para os cargos todos – inclusive os fantasmas – que ele colecionava. Como toda notícia ligada a política nesse país, cria-se um estardalhaço que interessa muito mais no decorrer do que quando acontece a demissão de fato. E já que lá vem mais uma descoberta de falcatruas de outro ministro – dessa vez vai ser o Desenvolvimento – ninguém deu muita importância pra o bye bye de Lupi. A notícia deu mais pano pra manga em sites de piada do que na imprensa “séria”, que me parece cada dia mais isenta de seriedade.

E eis que depois de muitos cortes de cabelos e ternos Chanel, Fátima Bernardes, resolveu largar o Jornal Nacional e partir para novas experiências. Foi substituída por Patrícia Poeta, que é quase a mesma coisa. A Globo deveria aproveitar que está com uma propaganda natalina que diz que hoje e um novo dia de um novo tempo e colocar alguém diferente de Fátima para nos dar boa noite ao lado de Bonner. Ótimo momento para colocar alguém que não seja branco, heteressoxual e do eixo Rio-São Paulo para falar das notícias do nosso país, que não se resume a Fátimas, Williams e Patrícias, com sua aparência impecavelmente diferente da maioria dos cidadãos do Brasil.

Ainda que não bastassem as duas demissões, Ivete Sangalo, internada com uma meningitezinha virou notícia também. O boletim médico da cantora foi parar nas pautas de todos os veículos da imprensa falada, escrita, televisionada e teclada. Aí já sabe, Haja fã na porta do hospital e haja tchauzinho da sacada e dá-lhe Ivete nos Trending Topics do twitter. Como a baiana deve ter o corpo mais fechado do que o do Coronel Inocêncio da novela Renascer, Ivete saiu linda e ovacionada tranqüilizando o coração de seus tietes e da Assessoria de Imprensa do Hospital Aliança em Salvador.

Como sempre se dá muita importância ao que não deve nesse país e as coisas realmente importantes são deixadas de lado, pouco vi sobre o caso da estagiária que foi obrigada pelos chefes a alisar os cabelos em uma escola de São Paulo. Soube do caso via facebook e não me lembro de ter visto na TV uma matéria sobre o show de racismo made in Brazil.  Normal. Vamos nos preocupar com as compras de Natal, que graças ao crescimento do pais, serão melhor que nunca para os brasileiros. Só não se sabe muito bem o que Papai Noel reserva para aqueles outros brasileiros, sempre esquecidos. 

Enfim, foi mesmo uma semana cheia.

sábado, 19 de novembro de 2011

Falando de racismo


Enfim tomei vergonha e fui assistir a “Namíbia, não!”, primeira peça na qual Lázaro Ramos assina como diretor teatral. Ainda que a peça tenha estreado em Salvador há mais de seis meses, só agora, no Rio de Janeiro, fui conferir o trabalho de direção do meu talentoso conterrâneo.

A trama é excelente. A montagem simples e direta encenada pelos atores Aldri Anunciação e Flávio Bauraqui trata do drama de dois primos que decidem permanecer escondidos em seu apartamento para não serem capturados, diante de uma medida provisória decretada pelo Governo Brasileiro no ano de 2016 que prevê, como forma de reparação social pelos anos de escravidão, que todos os afro-descendentes brasileiros devem retornar ao continente africano.

O cenário tem uma simplicidade absurda e consegue nos remeter aos cinco anos adiante, as atuações cumprem a tarefa – não são esplêndidas, mas também não deixam a desejar - e o texto tem uma inteligência ousada  que nos prende durante todo o espetáculo e se mantém recheado por piadas e tiradas que não se cansam de meter o dedo na ferida das questões raciais. Os racistas riem como hienas das provocações propostas pela peça que cutuca o tempo inteiro o mito da democracia racial fortemente empreendido no Brasil e que vemos comprovado nesse excesso de risos em momentos nos quais seria melhor chorar diante do que a peça nos leva a constatar. 

Ainda que eu tenha sentido que o desfecho poderia ter sido melhor, ele atende ao ponto principal do trabalho,  “Namíbia, não!” não pretende dar respostas e sim nos deixar a vontade para refletir sobre as inesgotáveis questões relacionadas as desigualdades.

Para mim, acostumada a conferir a questão racial na dramaturgia, através de montagens de companhias como Bando de Teatro Olodum (Cabaré da Raça, O muro,  Ó paí ó, etc.) e a Cia dos Comuns (Candaces, Bakulo, etc.) o tom da direção de Lázaro me parece na medida, com a cara que deve ter o enfrentamento ao racismo nos palcos nos dias de hoje. Está de parabéns!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Andar pra quê?

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou”. Parece que sim. Em pleno ano de 2011 há quem ainda ache que o que funciona na década de 80, continuará dando certo nos dias de hoje.

Numa era em que ditadores são derrubados através do twitter e grandes revoluções vão sendo feitas sem necessidade de cartazes e marchas, alguém me explica porque a população do Rio de Janeiro vai sair andando pelo centro da cidade em plena  quinta-feira contra a tentativa de retirada dos royalties do petróleo do estado? Eles acham que isso realmente vai alterar alguma decisão relativa ao pré-sal? Não creio. Em uma entrevista a um jornal local, um cidadão carioca diz que quer relembrar a luta pelos royalties de 30 anos atrás. Como assim? Será que ele não percebeu que o tempo passou? Acorda, meu filho! 

Estudante exibe cartaz que critica a ocupação da reitoria da USP
Na USP, estão acampados centenas de estudantes que não têm pelo que brigar e resolveram fazer presepada porque não querem a polícia dentro da faculdade. Chega ser engraçado ver alunos da USP empunhando cartazes que dizem que a polícia é cão de guarda da elite. Piada, né? Soube até que os revolucionários temporãos, se atracaram com jornalistas porque queriam interromper os links ao vivo. Como se não bastasse todo o resto, agora bater em jornalista virou moda. Era só o que faltava.

Quer andar? Ande. Quer dormir na reitoria? Durma. O país continua na merda porque nada disso altera a fome, a miséria, o analfabetismo, a violência e mais um monte de coisa pelas quais ninguém quer lutar e se quisesse não seria andando que se resolveria.

sábado, 5 de novembro de 2011

Só não é o que não tem que ser

Há quem venha dizer que eu sou contraditória na minha essência, pois ao mesmo tempo que acredito que somos sujeitos de nossas próprias transformações eu ainda tenho fé nas inevitáveis artes do Mrs. Destino. Ou seja, da mesma forma que sei que nossas atitudes e escolhas interferem diretamente no que fomos, somos e seremos, eu entendo que algumas coisas estão ali no meio do nosso caminho, escritas nas nossas histórias. São encontros, mudanças, situações e acasos que inexplicavelmente parece que foram postos ali e não haveria como ser de outra forma.

Estou pela primeira vez em minha vida afastada da minha família e de meus amigos, pessoas pelas quais meu coração sempre está repleto de amor sem que para isso seja preciso que eu diga o tempo inteiro. É bem verdade que, mesmo coma distância física, os avanços tecnológicos me permitem estar perto deles quase que o tempo inteiro. Mas aquela proximidade, mesmo com todas as coisas inerentes ao meu jeito de ser, tem feito muita falta pra mim e para todos os que têm me acompanhado e se integrado a minha vida.

Não sei se os últimos acontecimentos são obra do mecanismo do “tem que ser” ou se simplesmente eu precisava me encher de coragem e medo, deixar um pouco de lado a segurança de estar cercado dos meus e me lançar a ambientes tão diferentes e novos. Sei que quero muito que dê certo e que faça sentido, porque eu acredito que só não é o que realmente não tem que ser. 

Era Dia de Todos os Santos quando saí da Bahia pela primeira vez. Estava cheia de temor e vontade. No meu coração eu sentia que isso jamais poderia estar sendo em vão.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

Flor de Ir Embora

" Flor de ir embora
É uma flor que se alimenta do que a gente chora
Rompe a terra decidida
Flor do meu desejo de correr o mundo afora
Flor de sentimento
Amadurecendo aos poucos a minha partida
Quando a flor abrir inteira
Muda a minha vida
Esperei o tempo certo
E lá vou eu
E lá vou eu
Flor de ir embora, eu vou
Agora esse mundo é meu. "

Une Fleur