terça-feira, 10 de maio de 2011

Para além do legalize já

Caso interessar possa, eu sou a favor da legalização da maconha. E quem quiser que diga que eu estou fazendo apologia às drogas. Apenas acho que numa sociedade tabagista e alcoólatra como nossa, é muita hipocrisia dizer que a não-legalização (porque não vejo criminalização como uma palavra tão adequada) salva vidas. Porém, antes de ser a favor da liberação da maconha para produção, comercialização e consumo, eu sou a favor de um debate de verdade sobre esse assunto.

E quando eu falo sobre um debate de verdade, eu sugiro que em primeiro lugar o tema não seja olhado de maneira preconceituosa e, em segundo lugar, seja estudado de forma realista. De modo que, inclusive se pense como vai se dar na prática essa legalização. Que seja analisado se o país possui realmente “maturidade” e estrutura para regulamentar o uso da maconha. Já que, aqui quase nada funciona como deveria.

Porque, alguém percebe se existe sinceramente algum interesse em olhar a legalização para além do “oba-oba” dos cartazes empunhados em passeatas de estudantezinhos burgueses que fumam escondido dos pais nas festinhas de faculdade em apartamentos duplex que ficam muito longe das bocas de fumo onde uma legião de crianças e adolescentes não veem outra perspectiva de vida que não seja trabalhar para o tráfico? Se não existe, é melhor parar por aqui.

Para mim, grande parte dos cinco mil que acompanharam a marcha da maconha que aconteceu no último sábado na Zona Sul (detalhe) do Rio de Janeiro, tem um amigo que entra na favela, compra e entrega a maconha no conforto de seus lares e, eu poderia me ousar a dizer com quase toda certeza que essas pessoas, mesmo que a maconha fosse legalizada nesse exato momento, não passariam a cultivar a erva no quintal ou no jardim de casa. Assim como não contariam a seus familiares que usam maconha e tampouco conversariam abertamente sobre isso. E, caso houvesse uma lojinha no bairro onde facilmente pudessem comprar, eu me arriscaria a dizer que eles ainda hesitariam em ir até lá. 

Se pensarmos sobre a perspectiva do “pior do que está não pode ficar”, é verdade que o que o tráfico de drogas tem feito nesse país é simplesmente calamidade pública. Mas, até que ponto a legalização da maconha reduz o tráfico e a violência gerada pelo mesmo? A maconha é uma erva natural que pode ser usada para fins medicinais, religiosos e etc e não haveria nada demais em liberar seu consumo, mas e o que seria feito com a cocaína, o crack e as novas drogas sintéticas que ainda estão por vir? Continuariam tendo seu consumo considerado criminoso? Algum político se dispõe a escrever um projeto de lei sensato que não fique engavetado por anos?

Na minha cidade, quem quer comprar maconha sem correr muitos riscos sabe aonde ir e quem quer fumar abertamente sem se preocupar sabe onde ficar. Se você é uma pessoa equilibrada fumar maconha ou encher a cara de cachaça não faz muito diferença e se você é desequilibrado também não. Realmente dá pra legalizar, mas, antes vamos pensar melhor sobre isso?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Por mais disciplinada e responsável que eu seja,
aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO."
Martha Medeiros

domingo, 8 de maio de 2011

Salve a Majestade!

A fogueira ia ser acesa para o Rei. Alguns rituais justificam momentos, alguns momentos justificam rituais. O fogo, a luz, o parto, o primeiro passo para novos caminhos e ela nasceu no dia da fogueira. Se fez a pular fogueiras, o fogo ilumina às vezes e queimava tantas outras, a fumaça incensava, mas também irritava, o dançar das chamas enfeitiçava como os tecidos de terras distantes, como a dança das ondas na casa da mãe do Rei ou como o correr do Rio que pertence a uma das mulheres do Rei. Ele irá guardá-la e ela o servirá, dando-lhe de comer da sua mão, nunca irá esquecer que foi no seu dia que o Rei deixou que ela viesse a esse mundo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Amanhã pode ser um dia melhor

Eu diria que a discriminação, o preconceito e todos aqueles que vivem vigilantes pela desigualdade nesse país, receberam um belo tapa na cara hoje. Isso porque, uma das notícias de destaque dessa quinta-feira, me fez imaginar que amanhã pode ser um dia melhor nesse Brasil. Foi muito bom saber que o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou com unanimidade o reconhecimento da união entre casais do mesmo sexo.  Antes tarde do que nunca!

Parece que, enfim estamos prestes a dar mais um passo de uma longa caminhada a favor da igualdade de direitos de forma efetiva em nosso país.  Finalmente parceiros do mesmo sexo passarão a ter assegurados direitos como herança, comunhão parcial de bens, pensão alimentícia e previdenciária, licença médica, inclusão do companheiro como dependente em planos de saúde, entre outros benefícios. Aleluia!

A decisão mostra que a evolução da nossa sociedade está finalmente sendo acompanhada pelo Poder Judiciário. Afinal, já não era aceitável que em um país no qual, de acordo com dados preliminares do Censo de 2010, existem mais de 60 mil casais homossexuais, o estado insista em tratar de forma diferenciada essas uniões. Estamos saindo de pelo menos um buraco. Congratulations!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vale a pena ser solteira

Eu estou solteira. Acho que atualmente eu posso afirmar com todas as letras, sílabas e fonemas:  I’m a single lady. Mas, devo confessar que ao contrário de algumas mulheres que abominam esse estado civil, eu não estou nem um pouco desesperada. De verdade. Eu já cansei de cantar aos quatro ventos que sou adepta da filosofia do “antes só do que mal acompanhada” sempre. E por isso, estou arduamente adquirindo o bom senso necessário para administrar meus relacionamentos e também a ausência deles. Assim ninguém se machuca (eu acho).

Não estou sendo pretensiosa quando digo que estou solteira por opção minha, porque eu realmente estou. Essa é a mais pura verdade. Garanto a vocês que mesmo não sendo nenhuma Camila Pitanga eu poderia estar namorando. Bastaria que eu me submetesse ao que se submetem certas pessoas (tarefa difícil) ou que eu encontrasse alguém disposto a viver uma relação de verdade sob meu ponto de vista (tarefa bem mais difícil).

Pois é, por mais que seja maravilhoso estar com alguém, não dá para aturar poucas e boas apenas para ter um homem (ou uma mulher) pra chamar de seu (ou sua). Sexo é ótimo e necessário, assim como é maravilhoso ter alguém para conversar depois de um dia exaustivo de trabalho ou para te fazer surpresinhas legais, mas o que eu vejo as pessoas aceitando para terem um namorado é de uma violação que beira o absurdo. Não ser solteira tem custado abrir mão de amizades, brigar com a família inteira, abandonar convicções e princípios que compõem a própria personalidade e esquecer-se de si próprio em prol do outro que quase sempre não retribui ou não se compromete ou não tá nem aí.

Eu não sou hipócrita, somos passíveis de mudanças decorrentes de nossas relações – não só as amorosas. Eu já mudei e já fui mudada, isso é natural. Relacionamento é troca. Agora, abandonar tudo que você é e se travestir de uma nova coisa como garantia para continuidade ou a longevidade de uma história, é demais. E não há entidade sobrenatural que me convença de que eu preciso deixar de ser eu para ser de alguém. Até porque, pelo que tenho observado quase sempre isso acaba mal.

Se o preço que se paga para não deixar de ser o que a gente é, não deixar de fazer as coisas que a gente gosta, não deixar de ir aos lugares onde nos sentimos bem, não abrir mão de estar em companhias que nos fazem felizes, é ficar solteira, eu pago! Topo mesmo e sigo feliz. A solteirice para mim não é uma carga que a gente leva nas costas, não é um desajuste como pensa quem ainda tenta nos convencer a casar e parir de qualquer jeito, não é uma coisa do tipo: “coitada, tá solteira”. Isso tudo, na verdade é, mais uma vez, a síndrome da vida de comercial de margarina. E eu me nego!

Conheço casais muito bacanas, com relacionamentos de verdade, duradouros, que não precisam de submissão ou omissão de personalidade para sobreviver. As pessoas respeitam o que o outro é e pra esses eu dou ponto. É assim que tem que ser, é isso que eu busco para mim. Caso contrário, me deixe solteríssima com internet, chocalate, SKY e um celular com crédito suficiente para resenhar com minhas amigas. 

Olho a minha volta e vejo uma porção de relações doentias, amparadas no maldito comodismo, cheias de oportunismos idiotas e vazias de qualquer sombra de sinceridade e de lealdade. Nos bares, nos restaurantes, nas festas, nos shows, percebo inúmeros de “não-solteiros” se entupindo de mentiras em relacionamentos que, sinceramente, em nada me causam inveja. Acho que estar solteira significa estar livre de tudo isso e, honestamente, vale muito à pena.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Obama matou Osama

A páscoa foi na semana passada, mas nesse domingo o presidente dos EUA matou dois coelhos com uma cajadada só. Obama matou Osama e, consequentemente, também matou Bush de inveja. 

Foi com a notícia da morte do terrorista (odeio esse termo) ao qual inferem a autoria dos atentados de 11 de setembro de 2001, que finalmente foram desligados os holofotes do casamento real, que deixou todo mundo meio fora da realidade nos últimos dias. Segundo a polícia do mundo, vulgo Estados Unidos da América, o planeta Terra é agora um lugar melhor e mais seguro por causa da morte de Bin Laden. Peraê! Alguém faz o favor de avisar pra eles que em uma cidade há 108 quilômetros de Salvador ocorre em média um homicídio por dia e que a morte de Osama não interfere nesses assassinatos, pois Al Qaeda não tem nada a ver com isso?

É bem verdade que, depois de um verdadeiro tornado de tragédias climáticas, crises políticas, guerras e congêneres que vêm acontecendo sobre os cinco continentes, anunciar - mesmo que seja com quase dez anos de atraso – a morte de uma lenda do terror é uma ótima cartada para o lançamento de uma candidatura à presidência. É com um alívio enorme que Barack Obama apresenta o corpo de Osama para os obituários da imprensa internacional e aproveita para lançar o seu à reeleição. Nada é por acaso.

Enquanto o povo mais patriota do universo se agita com esses acontecimentos, numa espécie de carnaval fora de época (ou seja, uma década depois), a patrulha internáutica já lançou mil e uma teorias de que o barbudo islâmico morto numa operação que vai render bastante nas produções hollywoodianas não era Bin Laden. Estão dizendo até que a foto oficial da ação era só uma montagem de photoshop. Será? Sei lá, viu?

O que sei é que se as agências de espionagem americanas demoraram tantos anos para achar e prender esse homem, me digam quanto tempo e estratégias serão precisos para achar as tais 70 virgens que, segundo as leis do Alcorão, esperam Osama do outro lado da vida?

Não me poupe

Por favor, se você já pode me dizer não me poupe. Não me poupe porque você mais uma vez me magoa com essa sua ideia de que esconder as coisas de mim faz com que eu me sinta melhor. Eu sei que eu não tenho mais nada a ver com a sua vida desde quando você tratou de não me pôr dentro dela, desde quando você abriu a porta da minha e saiu sem olhar para trás e pouco se lixando com meu mundo desabando por minhas escolhas dolorosamente imbecis. E que você só volta de vez em quando por uma fresta que eu faço questão de deixar porque sim, eu sou a preferida, mas não sou a escolhida. Porque eu ainda te dou paz e salvei o barco da sua vida idealizada que afundaria se você tivesse topado com qualquer outra mulher um pouco mais retada que eu. Porque você sempre tem uma hora certa para me dizer e é coincidentemente sempre a hora errada pra eu ouvir o que você quer me falar. Foi assim daquela vez, lembra? Então abre essa boca e extravasa na minha cara toda alegria que eu sei que você está vivendo e eu vou sorrir amarelo por dentro do meu coração mesquinho que queria sim que tivesse sido diferente. Mas que não se carrega de mágoa, porque seu abraço apertado no meio desse meu caos ainda é uma das coisas boas que eu posso ter de você.