Amar alguém, mesmo sem ser correspondido, é uma forma que algumas pessoas encontram de se sentirem menos sozinhas e mais distantes de si mesmas. Nesse sentido, o amor é puro egoísmo. A gente ama o outro para se sentir melhor e não ter que se encarar. É por isso que as pessoas que não temem se enfrentar não sofrem da fatal necessidade de amar. O ser humano é isso. Uma busca incessante pelo seu próprio conforto. Uma fuga eterna da possibilidade de se encontrar com ele mesmo. Ainda que isso custe estilhaçar seu coração.
domingo, 9 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Engordar virou graça
Enquanto a Organização Mundial de Saúde tem desenvolvido um sem número de pesquisas e campanhas a fim de combater um dos maiores males da atualidade: a obesidade, o (cada dia mais sem graça) Pânico na TV resolve obrigar um de seus apresentadores a engordar com o intuito de tirar sarro da dieta feita pelo jornalista Zeca Camargo no quadro “Medida Certa”, do Fantástico.
Ou seja, toda vez que eu penso que já vi de tudo nessa televisão brasileira, sou surpreendida com uma dose extra de imbecilidade e falta de senso e criatividade do humor produzido em nosso país. Na falta do que dizer, fazer e mostrar, engordar virou graça. É de lascar!
Enquanto Vesgo (Rodrigo Scarpa) estiver engordando os dezesseis quilos em um mês – tempo determinado pelo programa – muitas pessoas estarão morrendo graças a uma doença com características epidêmicas que pode favorecer ou agravar a hipertensão arterial, a diabetes, a Apneia Obstrutiva do Sono e gerar disfunções respiratórias, além de complicações cardiovasculares e atinge, segundo dados do IBGE, cerca de 17 milhões de pessoas no Brasil. A maioria dessas pessoas não tem assistência médica de qualidade, nem o salário do Pânico. Elas estão doentes, são vítimas de preconceito o tempo inteiro, são sub-representadas pela mídia e por isso não acham a menor graça do “Em busca da cinturinha do Zeca Camargo”.
Parece que para o Pânico não basta humilhar meia dúzia de mulheres seminuas com peitos e bundas falsas desesperadas e ávidas por virarem notícia no mundo das subcelebridades toda semana, não basta contratar para expor ao ridículo pessoas com deficiência mental, não basta só saber fazer humor racista, machista e misógino domingo após domingo, tem que brincar de engordar para ver se eleva audiência. É pra ficar em pânico mesmo!
domingo, 2 de outubro de 2011
Agora o bullying explica tudo
Eu sou de um tempo em que tiro em escola era uma coisa que a gente só via em documentário americano. Bons tempos, em que comentários sobre a altura, os óculos, as pernas tortas, a gordura ou o tamanho da cabeça dos colegas eram apenas brincadeiras normais de criança ou adolescente, que rendiam no máximo uma advertência da coordenação do colégio. Não, eu não estou fazendo incitação à violência, ao preconceito ou à tortura psicológica. Só acho que algumas atitudes são inerentes a fase escolar.
O tempo passou e os tiros em Columbine chegaram ao Brasil. Chegaram e atingiram em cheio uma escola Realengo. Tirando a vida de treze estudantes e desesperando milhares de pais e mães que todos os dias mandam seus filhos às escolas desse país. O autor, que se matou em seguida, especula-se, dentre tantas conversas desencontradas, estaria se vingando do bullying que sofrera quando era aluno daquele mesmo colégio. Quem sabe? Talvez assim fique mais fácil de explicar. Parece que alguém teve a brilhante ideia de pôr a culpa de um atentado dessas proporções num trauma pelas gozações sofridas na infância e pronto: está resolvido.
Após cerca de seis meses, outra tragédia choca o país. Um garoto de dez anos atira na professora dentro de uma sala de aula e em seguida se retira e dá um tiro na própria cabeça, em uma escola em São Caetano, no ABC Paulista. No mar de desespero e controvérsias que ronda em torno do trágico episódio, começam a relacionar a história do menino - que só tirava boas notas, era tranquilo e etc - com o fato de que ele era vítima frequente de bullying. Mas como assim? Agora o bullying tem que explicar tudo.
A arma levada pelo garoto pertencia ao pai dele - que é Guarda Municipal – e ninguém sabia que ele estava com ela dentro da escola. O tiro atingiu o quadril da professora, o menino se matou fora da sala. Será que ninguém imagina que simplesmente essa criança pode ter levado o revólver para mostrar aos colegas, numa atitude infantil e, portanto natural a alguém com dez anos de idade, e que após o desespero do disparo acidental na professora, ele transtornado cometeu o suicídio?
Mas, por que ninguém se pergunta o que faz uma criança entrar armada em uma sala de aula? Será que não seria mais adequado que se começasse um trabalho nas escolas para evitar isso do que ficar jogando a culpa desses atos fatídicos na revolta dos alunos diante de brincadeiras que sempre existiram e que continuarão a existir?
sábado, 1 de outubro de 2011
As donas dos pedaços
Eu juro que tento, me esforço, mas não consigo entender a incansável patrulha dessas mulheres que se comportam como verdadeiros cães de guarda dos perfis de seus amados nas redes sociais. Basta uma mínima suspeita de qualquer coisa e elas começam a rosnar desesperadas facebook afora, a fim de impedir a invasão de uma suposta rival. É coisa de louco!
Como se não bastasse aquela coisa ridícula de fazer perfil junto, colocar foto de rostinho colado, acordar postando: “te amo, benhê” e etc, as malucas vivem ariscas, de guarda, com um GPS eternamente ligado, que dispara a cada possível investida de outra mulher.
E na onda de se mostrar dona do pedaço - que na maioria das vezes é um pedaço mesmo – elas começam a comentar qualquer espirro que o namorado/marido/ficante dá na web. Elas retwittam tudo, curtem tudo, compartilham tudo, comentam tudo, dão pitaco em tudo. É uma coisa insuportável.
Se uma amiga desavisada e desconhecida por ela ousar fazer um comentário, lá estão elas, com as quatro patas dentro do perfil dos machos, mijando nos cantos para demarcar o território e prontas para botar pra correr a latidos as pobres coitadas. E quando a coisa deixa de funcionar no mural, começa a marcação. É um tal de marcar o cara no baba de domingo, na quermesse da igreja, no batizado da boneca. Onde houver um ambiente familiar no qual ela esteve com ele, ele será marcado na foto, pois é uma maneira de acender o letreiro luminoso com letras garrafais piscando: ELE É MEU!
Meninas, ouçam um conselho de quem nunca fez essa patrulha e nem pretende fazer: dá um logoff, pois essa eterna sentinela não vai adiantar nada. Desistam. Porque enquanto você twitta que ama ele, ele tá dando uma “twittada” em alguém.
sábado, 17 de setembro de 2011
Hello, stranger.
" - Eu te amo.
- Onde? Me mostra! Onde está esse amor? Eu não consigo vê-lo, tocá-lo, senti-lo. Consigo ouvir algumas palavras, mas não posso fazer nada com suas palavras fáceis… Seja lá o que disser, está tarde demais! Eu não te amo mais.
- Quando você descobriu isso?
- Agorinha mesmo… Eu teria te amado pra sempre."
do filme, Closer - Perto Demais
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Não venham me dizer que não é racismo
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| Ator Rodrigo Lombardi |
Ao avaliar a apresentação do ator Miguel Roncato, o ganhador da competição, Lombardi teria comparado a performance dele a do cantor e dançarino americano Sammy Davis Jr, comentando que o músico era "um cara negro, caolho, com um metro e cinquenta, que quando entrava no palco saía com dois metros de altura, loiro e de olho azul". Isso, pelo visto, na cabeça do intérprete de Herculano Quintanilha e de algumas outras pessoas isso teria sido uma espécie de “elogio”.
Mas porque o negro, caolho e baixinho, precisa se transformar em um cara de dois metros de altura e com ares de ascendência alemã para ser considerado bom? Sinceramente, não queiram vir me dizer que isso não é racismo. Não venham me falar que ele não carrega o ranço da escravidão, na qual um negro não pode ser bom, não pode ser destaque, não pode brilhar. Não venham querer me convencer que foi apenas um comentário impensado.
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| Sammy Davis Jr |
Infelizmente, o povo do nosso país não teve a mesma lição que os americanos. Pois nos Estados Unidos foi preciso lutar contra o racismo de fato e de direito. E hoje, no solo americano, um comentário como esse geraria um belo processo e a obrigação de uma retratação pública por parte do ator. Aqui, o mito da democracia racial reproduz discursos como o de Lombardi no Domingão. E, ainda por cima, faz com que as pessoas não consigam enxergar o quanto é perverso e preconceituoso que para merecer aplausos alguém precise adquirir aspectos ligados a um padrão de beleza que não tem nada a ver com a realidade de nosso país.
O racismo é assim, ele se camufla numa fala qualquer de um ator global em pleno domingo de tarde. Você pode começar a cair na real ou continuar sentado vendo isso.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Os homens e suas varinhas mágicas
Eu tento, porém simplesmente não consigo entender porque alguns homens sofrem do que eu resolvi apelidar de “complexo de mágico”. Eles acham que basta sacudir suas varinhas – e na maioria das vezes são varinhas mesmo – que tchan tchan tchan tchan: surgirá uma mulher louca para dar pra eles.
E por isso, enquanto eu não consigo uma carteira falsa do Conselho Regional de Psicologia para sair por aí medicando esses loucos que se acham o primeiro biscoito do pacote (já que o último biscoito sempre fica meio mole ou esfarelado) só me resta dizer que, por mais que o mundo venha sendo muito injusto com a minha classe - tanto em quantidade quanto em qualidade - ainda assim, nem toda mulher vive a mercê do desejo e da disponibilidade dos homens. Pois é, acordem e deixem de achar que o centro do mundo fica dentro da sua cueca. Porque não fica.
Portanto, meus caros, pelo amor de deus, parem de aparecer do nada às segundas-feiras quando os motéis são mais baratos, parem de querer reatar o namoro quando perdem o emprego ou quando estão sem carro, parem de mandar torpedos às 3 h da madrugada depois de tomar toda a cachaça do mundo e não ter condições nem de fazer um sexo meia-boca, parem de ligar quando brigam com suas namoradinhas e querem encontrar alguém que tope transar no carro do primo, na escada do prédio ou na casa da avó. PAREM, PAREM, PAREM!
Por mais idiotas que vocês consigam pensar que nós somos, toda mulher sabe exatamente quando é prioridade e quando é uma opção. E, se de vez em quando a gente resolve atender a uma investida no sense de vocês, é pelo nosso próprio desejo, pelas nossas vontades. Esqueça esse lance de que é só você bater os dedos que fulana vai, porque ela não vai, eu não vou e um dia desses ninguém irá.
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